The Who at Kilburn 1977
Às vezes me perguntam quais são as minhas três bandas de Rock preferidas. A resposta que eu daria hoje é a mesma que eu responderia há um quarto de século: Beatles, Rolling Stones e The Who. Obviamente, qualquer lançamento referente a essas bandas me provoca uma certa empolgação. Os fãs do Who até que não podem se queixar, pois volta e meia somos brindados com o lançamento de algum concerto ou documentário, como em 2007 com o DVD duplo “Amazing Journey: The Story of The Who”. Eis que surge agora “The Who at Kilburn 1977”, um DVD duplo com dois shows inéditos até então.
Em 1977, o diretor Jeff Stein estava produzindo o documentário “The Kids Are Alright”, um apanhado sobre a carreira do The Who, quando se deu conta de que não havia material em vídeo das músicas mais recentes por eles lançadas, haja vista que o grupo não se apresentava ao vivo há mais de um ano e havia proibido filmagens de suas turnês anteriores. Para suprir essa falta, foi armado um show no Gaumont State Theatre, um velho teatro construído nos anos trinta em Kilburn. No dia 15 de dezembro de 1977, quebrando um jejum de quatorze meses, o The Who subiu ao palco para se apresentar defronte a uma platéia de 800 convidados.
Na abertura do concerto, com “I can’t explain”, Pete Townshend demonstra grande entusiasmo, pulando freneticamente com sua guitarra, mas no decorrer do show, fica nítido aos mais atentos que a banda não se encontra em sua melhor forma, sendo perceptível um certo desentrosamento entre eles. O alucinado baterista Keith Moon, mesmo dando um show à parte, comete vários erros, o mais gritante quando antecipa o final de “I’m free”, causando irritação em Pete Townshend, que se dirige ao microfone e diz: “Essa porra nem merecia ser filmada, melhor mandar os câmeras embora.” Ao anunciar a canção “Behind blue eyes”, Keith Moon fala: “Vou até o camarim tomar uma overdose e volto em três minutos e meio.” Kilburn foi o penúltimo show da curta vida de Keith Moon.
Apesar de alguns percalços, Roger Daltrey, Pete Townshend, John Entwistle e Keith Moon tocaram quinze canções em pouco mais de uma hora de show, alternando hits como “My generation”, “Baba O’Riley”, “Substitute”, “Who are you”, “Pinball wizard” e “Won’t get fooled again” com covers incorporados ao seu repertório, como “Summertime blues” (Eddie Cochran) e “Shakin’ all over” (Johnny Kidd & The Pirates), além de “My wife”, cantada pelo contrabaixista John Entwistle e a obscura “Dreaming from the waist”, que Pete declarou ser a canção do Who que ele mais odeia.
Pete Townshend não gostou do resultado,
sendo que nada foi aproveitado para o documentário. A banda voltaria a
se reunir no dia 25 de maio de 1978 para um show no Shepperton Studios,
quando finalmente gravaram as cenas necessárias para o filme. Esse foi
o último show com Keith Moon, que morreria três meses depois. O show em
Kilburn permaneceu arquivado por mais de trinta anos e agora tem seu
merecido registro lançado. Mesmo não estando em seu auge, é o The Who
ao vivo, e isso basta.
No DVD extra, outro documento histórico: o show no London Coliseum no
dia 14 de dezembro de 1969. A qualidade da imagem e do som é um tanto
precária, porém, mostra a banda em seu ápice em uma performance
arrasadora, onde tocam canções como “Heaven and hell”, “A quick one
(while he’s away)”, “Tattoo”, “Happy Jack” e “I’m a boy”, e interpretam
suas versões para “Young man blues” de Mose Allison e “Fortune teller”,
música da banda Merseybeats (também gravada pelos Rolling Stones); além
de apresentar pela primeira vez ao vivo a ópera-rock “Tommy” na
íntegra. Um fantástico registro de dois momentos distintos na história
de uma das maiores bandas de Rock’n’Roll que já existiu.
Texto
publicado originalmente no caderno Blitz,
do jornal Diário da Manhã, de 09 de outubro de 2009.
Também
nos sites:
www.blitz.diariodamanha.com
www.osarmenios.com.br
www.collectorsroom.blogspot.com
Sindicação
Estou um tempão atrás de alguém que conhece rock mais que eu, para poder me responder uma pergunta que preciso saber.
Quando mais novo escutei um vinil de uma banda muito, mas muito loka mesmo, porém somente me lembro da capa do vinil. Ela não é muito conhecida pelo que sei.
A capa tem dois carros batidos de frente, aonde eles estão somente com as duas rodas traseiras, formando um V ao contrário, não sei se me entendeu.
Por favor, se puder me responda o quanto antes, pois gostaria de escutar novamente essa banda.
Obrigado!